Marketeer
Quinta-Feira, 9 de Fevereiro de 2012
Das margens e remunerações das agências
uando um dia for grande e famoso e talentoso e importante - e todas as outras coisas que um director criativo a sério é suposto ser - e tiver histórias para contar e coisas interessantes para dizer e alguém me perguntar por que é que faço anúncios, sabem o que hei-de responder?
Para ganhar dinheiro, é o que hei-de responder.
Que é como quem diz, hoje queria falar-vos de margens, remunerações de agências e daquilo que, verdadeiramente, andamos - ou devíamos andar - todos para aqui a fazer: dinheiro.
A lógica é (era?) simples: os clientes queriam vender mas não sabiam como; as agências sabiam como mas não tinham o que vender. Então os primeiros pagavam aos segundos, os segundos convenciam um monte de gente (vulgo consumidores) a pagar aos primeiros e no final ficávamos todos contentes: os clientes ficavam com mais dinheiro, as agências com o dinheiro a mais dos clientes e o monte de gente ficava sem dinheiro mas com um monte de coisas (in)úteis.
E assim foi durante anos.
E assim fomos todos felizes.
Até que um dia - há sempre um dia - o mercado acordou e chegou à conclusão que as agências andavam a ganhar dinheiro a mais.
E as agências, que não lhes podiam explicar que o problema não era as agências andarem a ganhar dinheiro a mais, mas sim que o serviço que lhes andavam a prestar era mau e os andava a fazer a eles, clientes, ganhar dinheiro a menos - em vez de trabalhar mais e melhor e resolver a situação, resolveram fazer menos e pior e passar a cobrar as margens às escondidas.
E pronto, estragaram tudo.
O resultado está à vista: hoje em dia a desconfiança é tal e as histórias de esquemas e negociatas e margens combinadas à parte com terceiros (e primeiros, e segundos e sabe-se lá mais o quê) foram - e são - tantas, que parece que é crime uma agência querer cobrar margens (de produção, de acompanhamento ou do que for).
Ou, pior ainda - cruz credo, virgem santíssima, valha-nos nossa senhora, isso é que não -, ganhar dinheiro.
(Ainda que, verdade seja dita, a julgar pela grande maioria do trabalho que as agências põem na rua, não é crime mas não tenho a certeza que não devesse ser.)
A ver se nos entendemos, então: ficar rico não é crime. O que é crime é ficar rico às custas de alguém que não ficou.
Essa sim, é a questão.
Ora a mim, que me farto de trabalhar para fazer alguém ficar rico, irrita-me não ganhar nada com isso. Porque eu quando não ganho, não como. E quando não como, fico muito irritado.
Para além de magro, o que é muito pior.
Perdoem-me, pois, todos os que se sentirem ofendidos, os que sentirem vergonha (alheia ou nem tanto) e os que acharem que não é próprio andar a proferir tais enormidades (ainda para mais um criativo), mas o meu objectivo (que, na verdade, devia ser o nosso) é simples, e é bom que nos entendamos desde já se um dia vamos trabalhar juntos: é ganhar dinheiro.
E muito, se não for incómodo.
É claro que para isso tenho que trabalhar muito (também). E fazer alguém ganhar dinheiro suficiente para que esse alguém me possa pagar. Mas assim o faça, não vejo por que razão não hei-de ser pago. E cobrar todas as margens que me apetecer. E até, se for caso disso, dizer preto no branco quanto custa o que estou a comprar e por quanto o vou (re)vender.
A pergunta que se impõe é, pois, a seguinte:
E se em vez de andarmos a dizer que é caro até chatear, e se em vez de andarmos a dizer que os valores de produção estão desajustados à realidade actual quase a chorar, e se em vez de andarmos todos a fingir que não cobramos margens de trinta por cento ou mais e a cobrar, e se em vez de andarmos todos a dizer que não andamos a ganhar dinheiro e a ganhar - fossemos todos trabalhar?
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22 de Setembro de 2009 - Andreia Araujo
Olá a todos,
É a primeira vez que sinto a extrema necessidade de comentar um artigo talvez porque pela primeira vez estou a ler um artigo que não se baseia numa opinião mas sim na REALIDADE!!!!
Sou designer gráfica, trabalho a tempo inteiro num empresa de web design e sinto que aqui como em todo o lado sou apenas alguém que gosta de desenhar e que cria aleatoriamente imagens que representaram a imagem corporativa das marcas sem se aperceberem que essa mesma imagem foi pensada e só funciona para essa empresa. O nosso objectivo visual é projectar a empresa e dar-lhe valores comerciais!!! Ninguém vai a uma entrevista de trabalho a cheirar mal e roto…. ou vao?? Então se nós os fazemos ganhar dinheiro porque carga de água o nosso trabalho não tem de ser reconhecido também??? porque é que é sempre caro pagar a um designer freelancer o preço justo que este acha que deve receber quando o cliente ganhará exponiencialmente valores muito superiores ao valor total do projecto. Porque é que os criativos não são levados a sério e esta área está tão subvalorizada?? Porque é que neste pais querer-se ganhar dinheiro é mau? trabalhamos para aquecer??? se tivesse um pai rico provavelmente fazia um perfume só para me entreter…. mas como não sou trabalho….. para aquecer! Paguem aos jovens designers, aos copys, aos accounts, aos marketeers etc respeitem a área mas principalmente respeitem quem trabalha, só assim este pais vai para a frente!!!!
Andreia Araújo (muito prazer)
p.s. cheka só: http://www.kimoshidesign.deviantart.com